Passagem será a mais próxima já prevista para um asteroide desse porte na era moderna; cientistas descartam risco de colisão e preparam missões para estudar o fenômeno
Um dos eventos astronômicos mais aguardados das próximas décadas já tem data marcada. Em 13 de abril de 2029, o asteroide 99942 Apophispassará a apenas 32 mil quilômetros da superfície da Terra, distância inferior à órbita de muitos satélites geoestacionários. A aproximação é considerada a mais próxima já prevista, com antecedência, para um objeto desse porte, oferecendo uma oportunidade inédita para cientistas e observadores do céu.
Descoberto em 19 de junho de 2004 pelos astrônomos Roy Tucker, David Tholen e Fabrizio Bernardi, no Observatório Nacional de Kitt Peak, no estado norte-americano do Arizona, o Apophis chamou a atenção da comunidade científica ao apresentar, nos primeiros cálculos orbitais, uma pequena possibilidade de colisão com a Terra em 2029, 2036 ou 2068. Após mais de duas décadas de observações ópticas e medições por radar, a NASA afirma que o risco foi completamente descartado pelos próximos 100 anos.
Com cerca de 340 metros de diâmetro — aproximadamente a altura da Torre Eiffel — o Apophis é classificado como um asteroide próximo da Terra (Near-Earth Asteroid). Apesar do tamanho expressivo, ele não representa ameaça para o planeta durante a passagem de 2029. Ainda assim, a distância extremamente reduzida fará com que o objeto atravesse uma região ocupada por satélites artificiais, algo considerado excepcional pelos especialistas.
Segundo a NASA, será a primeira vez na história registrada que a humanidade poderá acompanhar um asteroide dessa dimensão passando tão perto da Terra com tecnologia suficiente para estudá-lo em detalhes. Durante algumas horas, o objeto poderá ser observado a olho nu, aparecendo como um ponto luminoso em movimento no céu para observadores localizados principalmente na Europa, África, Oriente Médio, partes da Ásia e Austrália, desde que as condições meteorológicas sejam favoráveis.
Além do espetáculo visual, a aproximação permitirá que pesquisadores analisem como a intensa gravidade terrestre altera um asteroide durante um encontro tão próximo. Modelos científicos indicam que a força gravitacional da Terra poderá modificar levemente sua órbita, sua velocidade de rotação e até provocar pequenos deslizamentos de material em sua superfície, fenômeno popularmente chamado de “terremotos de asteroides”. Estudos publicados em 2026 reforçam que o encontro servirá para validar modelos sobre a evolução física desses corpos celestes.
O interesse internacional pelo evento mobilizou agências espaciais. A NASA redirecionou a espaçonave OSIRIS-REx, responsável por trazer amostras do asteroide Bennu, para uma nova missão chamada OSIRIS-APEX, que encontrará Apophis após sua passagem pela Terra. A Agência Espacial Europeia (ESA) também desenvolve a missão RAMSES (Rapid Apophis Mission for Space Safety), destinada a acompanhar o asteroide durante sua aproximação para registrar, em tempo real, as alterações provocadas pela gravidade terrestre.
O nome “Apophis” faz referência a Apep, divindade da mitologia egípcia associada ao caos e à destruição. A denominação foi aprovada pela União Astronômica Internacional (IAU) em 2005, após proposta dos próprios descobridores do objeto. Apesar do apelido alarmante, os cientistas enfatizam que o asteroide não representa perigo para a população.
Especialistas consideram a passagem de 2029 um verdadeiro laboratório natural para aprimorar estratégias de defesa planetária. O estudo detalhado do Apophis permitirá compreender melhor como grandes asteroides respondem às forças gravitacionais, fornecendo informações valiosas para futuras missões de monitoramento e, se necessário, de desvio de objetos potencialmente perigosos.
Mais do que um espetáculo celeste, a visita do Apophis promete marcar um novo capítulo na astronomia moderna. Pela primeira vez, bilhões de pessoas poderão acompanhar um encontro cósmico dessa magnitude enquanto cientistas de diferentes países observam, praticamente em tempo real, como um dos maiores asteroides próximos da Terra é transformado pela gravidade do nosso planeta.
Por Ver-O-Fato







