Médico das estrelas é preso em Marabá por descumprir medida protetiva

O médico Francisco Miranda Cruz Filho, conhecido como “médico das estrelas”, foi preso em Marabá por suspeita de descumprir medida protetiva. Ele foi solto após audiência de custódia, mas o caso segue em investigação.

O médico Francisco Miranda Cruz Filho, conhecido como “médico das estrelas” em Marabá, no sudeste do Pará, foi preso na noite de sexta-feira (23) por suspeita de descumprir uma medida protetiva concedida pela Justiça à ex-mulher. A prisão, entretanto, durou menos de 24 horas. No sábado (24), ele recebeu liberdade provisória após audiência de custódia, com manifestação favorável do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA). O caso continua sob investigação.

A ocorrência foi registrada na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), depois que a ex-companheira acionou a Polícia Militar ao perceber a presença do médico em um restaurante da cidade. Segundo o depoimento, ele teria desrespeitado uma ordem judicial que determina o afastamento mínimo de 100 metros entre os dois.

Encontro em restaurante provocou denúncia

De acordo com as informações prestadas pela mulher à Polícia Civil, ela estava em um restaurante quando a filha do ex-casal percebeu que o pai passava repetidas vezes de carro em frente ao estabelecimento, com os vidros abertos.

A mulher afirmou que estava de costas para a entrada quando foi alertada pela filha. Pouco depois, Francisco teria entrado no restaurante acompanhado da atual esposa, momento em que, segundo a denunciante, também a teria visto.

A ex-mulher relatou que possui medidas protetivas contra o médico desde junho de 2026, concedidas após denúncias de ameaças e injúrias. Entre as restrições estabelecidas pela Justiça está a proibição de aproximação a menos de 100 metros.

Diante da situação, ela telefonou para o número 190 e também comunicou o episódio à Delegacia da Mulher. Policiais militares compareceram ao restaurante e abordaram o médico.

Conforme o relato registrado, Francisco foi informado de que deveria comparecer à delegacia. Ele deixou o estabelecimento dirigindo o próprio veículo, acompanhado da atual esposa e sob acompanhamento de uma viatura policial.

Na unidade policial, a mulher confirmou a denúncia e solicitou providências legais pelo suposto descumprimento da determinação judicial.

Ministério Público apoiou liberdade

O caso foi enquadrado inicialmente no artigo 24-A da Lei Maria da Penha, que trata do crime de descumprimento de medidas protetivas de urgência.

Após a prisão, Francisco Miranda Cruz Filho passou por audiência de custódia no sábado (24). Durante o procedimento, o Ministério Público manifestou-se favoravelmente à concessão de liberdade provisória, posição acolhida pela Justiça.

Segundo esclarecimentos do MPPA divulgados pela imprensa, a prisão preventiva é uma medida excepcional, que depende da demonstração de risco concreto decorrente da liberdade do investigado e da insuficiência de outras medidas cautelares.

O órgão destacou que, no episódio ocorrido no restaurante, “não houve notícia de ameaça verbal, agressão física ou tentativa de contato direto com a vítima”.

A manifestação não significa que o Ministério Público tenha descartado a possibilidade de descumprimento da medida protetiva. O entendimento apresentado diz respeito à necessidade, naquele momento, de manter o investigado preso preventivamente.

Restrições continuam valendo

Apesar da soltura, Francisco permanece obrigado a cumprir integralmente as medidas protetivas determinadas pela Justiça, incluindo a distância mínima de 100 metros da ex-mulher.

A liberdade provisória não encerra a investigação nem representa absolvição. A Polícia Civil poderá continuar apurando as circunstâncias do encontro no restaurante e verificar se houve violação da ordem judicial.

No domingo (25), o médico publicou vídeos em seu perfil no Instagram, demonstrando que já estava em liberdade.

A reportagem do Correio de Carajás informou que tentou contato com Francisco e com seu advogado, mas não havia recebido manifestação da defesa até a publicação da notícia.

O caso chama atenção para a importância das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, destinadas a impedir situações de ameaça, violência e aproximação indevida. O eventual descumprimento dessas determinações constitui crime, independentemente da existência de agressão física.

A apuração deverá esclarecer se a conduta atribuída ao médico configura violação da decisão judicial. Enquanto isso, permanecem válidas as restrições impostas para proteger a ex-companheira.

Por Diário do Pará

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