Vereadora de Belém pode pagar R$ 500 mil por posts sobre demissão de eleitores

O Ministério Público do Trabalho acusa Patrícia Queiroz de compartilhar conteúdos que incentivariam empregadores a identificar a posição política de funcionários. A ação também solicita a retirada das publicações e uma retratação pública.

O Ministério Público do Trabalho no Pará e Amapá (MPT PA-AP) ajuizou uma ação civil pública contra a vereadora de Belém e pastora Patrícia Queiroz por compartilhar publicações consideradas discriminatórias contra trabalhadores em razão de suas convicções políticas. O órgão pede uma indenização de R$ 500 mil por danos morais coletivos, além da retirada dos conteúdos das redes sociais e de uma retratação pública da parlamentar.

A iniciativa judicial tem como origem publicações compartilhadas por Patrícia em seu perfil no Instagram após o segundo turno das eleições gerais. Na ocasião, a vereadora divulgou um vídeo e uma publicação que sugeriam aos empregadores verificar as redes sociais de seus funcionários para descobrir em quem haviam votado.

O material também propunha avaliar a permanência no emprego de trabalhadores que, segundo o conteúdo divulgado, “odeiam empresários”.

De acordo com o MPT, esse tipo de manifestação pode estimular práticas discriminatórias no ambiente profissional e incentivar demissões motivadas por posicionamentos políticos, crenças e convicções pessoais. O órgão alerta para o risco de centenas de trabalhadores sofrerem prejuízos em seus empregos por causa de suas escolhas eleitorais.

Além disso, o Ministério Público destaca que a situação ganha maior gravidade porque as manifestações partiram de uma agente pública com mandato eletivo. Na avaliação apresentada na ação, a posição institucional da vereadora amplia sua visibilidade, credibilidade e capacidade de influência sobre a sociedade.

O que o MPT pede na Justiça?

Na ação civil pública, o Ministério Público do Trabalho solicita uma decisão liminar para impedir que Patrícia Queiroz promova, incentive, incite, oriente ou solicite a empregadores e tomadores de serviços qualquer prática discriminatória contra trabalhadores por motivos de crença ou convicção política.

O pedido também busca impedir que empresas deixem de contratar, demitam, prejudiquem ou persigam funcionários por causa de suas posições políticas.

Outro ponto apresentado pelo MPT é a retirada das publicações consideradas discriminatórias. O órgão também requer que a parlamentar divulgue uma retratação em todos os seus canais oficiais de comunicação.

Multas podem chegar a valores elevados

O Ministério Público solicita ainda a aplicação de multa de R$ 100 mil por obrigação descumprida, caso a Justiça acolha os pedidos apresentados na ação.

Para publicações fixas, aquelas mantidas no feed das redes sociais, o órgão requer uma penalidade cumulativa de R$ 100 mil por postagem. Além disso, pede o pagamento de R$ 10 mil por dia em que cada conteúdo permanecer ativo nas plataformas.

Os valores solicitados buscam garantir o cumprimento das determinações judiciais e impedir a continuidade de manifestações que possam estimular a discriminação de trabalhadores por suas convicções políticas.

Indenização de R$ 500 mil

Além das medidas de urgência e das penalidades solicitadas, o MPT PA-AP requer que Patrícia Queiroz seja condenada ao pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos.

Conforme a ação, o valor deverá ser destinado a instituições que serão indicadas posteriormente pelo próprio Ministério Público do Trabalho.

O processo tramita sob o número 0000976-92.2026.5.08.0019. Os pedidos apresentados pelo MPT ainda dependem de apreciação da Justiça.

Por Moju News

Compartilhe essa Notícia

publicidade

Portal Moju News
Resumo sobre Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a você a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você acha mais interessantes e úteis.

Saiba mais lendo nossa Política de Privacidade