Ufra organiza processo seletivo especial para Quilombolas e Indígenas

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A previsão é que esse processo já ocorra em 2022.

A Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) avançou nas discussões para que estudantes indígenas e quilombolas possam participar de um Processo Seletivo Especial (PSE), com reserva de vagas específicas nos cursos de graduação da instituição. A previsão é que esse processo já ocorra em 2022.

A Comissão de Políticas Afirmativas de Acesso e Permanência de Estudantes Indígenas e Quilombolas no Ensino de Graduação da Ufra foi criada no dia 15 de março, através da portaria 251.

Segundo a professora e presidente da comissão, Flávia Marinho Lisboa, a lei federal 12.711/2012, que institui as cotas, contempla um público mais amplo e todos passam pelo processo de seleção convencional. “Todas as outras federais do Pará já ofertam e fazem isso considerando as especificidades socioculturais e históricas dos povos indígenas e quilombolas, como preconizam diversas bases legais, normativas e, inclusive, acordos internacionais, onde se reconhece o desigual acesso desses povos a direitos fundamentais, como a educação, devendo receber políticas que reparem essa realidade”, explica.

De acordo com a pró-reitora de Assuntos Estudantis, professora Iris Lettiere, a oferta de vagas ainda está em fase de estudo, porém já há duas vagas por turma em cursos solicitados. Os trabalhos da comissão devem durar em torno de seis meses. Após esse processo, a minuta será enviada para consulta pública e conselho universitário.

Uma das políticas já existentes é o Programa Bolsa Permanência (PBP MEC) que atende estudantes oriundos dessas comunidades, mas que ingressaram na Ufra pela ampla concorrência. “Estamos apoiando quilombolas nos campi Capanema, Capitão Poço, Parauapebas e Tomé-açu. Com a implantação do PSE para indígenas e quilombolas vamos poder ampliar a garantia de inserção universitária nas comunidades, e garantir a troca de saberes da Instituição e comunidades tradicionais, garantindo a diversidade, pluralidade e ruralidade na Ufra”, diz Iris.

Permanência

Para Puyr Tembé, representante da Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa), entidade que congrega mais de 55 povos indígenas, presentes em 52 municípios paraenses, essa é mais uma conquista do movimento indígena diante das instituições de ensino superior no Pará. Porém, a questão não é apenas inserir esses povos no ensino superior, mas manter esse estudante na universidade.

“Não basta apenas abrir vagas, ainda é mais desafiador permanecer com esses alunos dentro da universidade. A realidade dentro dos territórios é totalmente diferente da realidade das cidades. Tem questões culturais, relações com as famílias, com território. Nossa perspectiva é que esses alunos consigam adentrar nesses cursos, consigam permanecer neles e concluí-los, dando um retorno para as suas bases. Não ganha apenas os indígenas, ganha a instituição, as comunidades, caciques e organizações indígenas que encabeçaram essa luta e esse projeto, e acreditam no poder dessas ações afirmativas. Nós queremos que esses alunos sejam multiplicadores, transformadores de opiniões”, diz.

Fonte: Roma News

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