Ação policial em dois estados cumpre prisões e apreensões contra grupo suspeito de fraudes digitais, lavagem de dinheiro e uso de contas de “laranjas”.
Uma ofensiva das polícias civis de Minas Gerais e São Paulo colocou no radar uma organização criminosa que atuava em golpes virtuais em todo o país. A terceira fase da chamada Operação Martelo Virtual foi realizada na manhã desta quinta-feira (26) e teve como foco desmontar um esquema baseado em falsos leilões de veículos na internet. Ao todo, foram cumpridos mandados de prisão e de busca em cidades paulistas, além da apreensão de celulares, documentos e veículos que devem ajudar a aprofundar as investigações.
De acordo com a apuração, o grupo criava páginas que imitavam plataformas confiáveis de leilão. Nessas páginas, os interessados acreditavam estar participando de disputas reais por veículos. Após a suposta arrematação, as vítimas eram levadas para aplicativos de mensagem, onde recebiam instruções para efetuar pagamentos via Pix, geralmente para contas em nome de terceiros.
Somente no último ano, mais de 250 pessoas caíram no golpe em diferentes regiões do Brasil. A investigação começou ainda em 2023, a partir de um caso analisado pela Polícia Civil em Frutal, no Triângulo Mineiro. Com o avanço das diligências, foi possível identificar que o esquema não era isolado, mas sim parte de uma rede estruturada que operava também em estados como Paraná e Rio de Janeiro.
As autoridades apontam que, ao longo de cinco anos, a organização movimentou cerca de R$ 520 milhões. Esse volume foi identificado após a quebra de sigilos bancários e fiscais, que revelou uma engrenagem complexa de transações financeiras.
Segundo a polícia, o grupo tinha divisão de tarefas bem definida. Havia responsáveis pela criação dos sites falsos, outros encarregados de recrutar contas bancárias de “laranjas” e também operadores dedicados a movimentar e sacar os valores obtidos com os crimes. Uma das estratégias utilizadas era o fracionamento de quantias, prática conhecida como “pulada”, para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Ainda conforme as investigações, parte dos recursos era direcionada para lavagem de dinheiro, incluindo a compra de imóveis e veículos registrados em nome de terceiros, o que ajudava a esconder a origem ilegal dos valores.
Nesta etapa da operação, seis pessoas foram alvo de prisão preventiva e dez endereços passaram por buscas nas cidades de São Paulo, Santo André, Boituva e São Caetano do Sul. O material recolhido será periciado.
Os investigadores também identificaram possíveis conexões entre alguns suspeitos e integrantes de outras organizações criminosas, além de vínculos com alvos de uma operação anterior que apurou lavagem de dinheiro ligada ao uso de postos de combustíveis. As apurações seguem em andamento.
