Vítima de 65 anos tem problemas de visão e audição, e vivia isolada em propriedade rural bebendo água do rio.
Um idoso de 65 anos foi resgatado em condições análogas à escravidão em uma propriedade rural na Estação Ecológica Terra do Meio, unidade de conservação federal no município de Altamira, no sudeste do Pará.
Segunda a Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) o resgate foi na última terça-feira (14), e contou apoio da Polícia Federal e da Defensoria Pública da União (DPU), que utilizaram um helicóptero para buscar a vítima.
O idoso, que não teve a identidade revelada, vivia isolado no local há pelo menos oito anos, sem água potável, com alimentação precária e moradia sem condições higiênicas. O acesso à área só era possível por via aérea ou fluvial.
As denúncias surgiram após inspeções feitas na região pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).
CONDIÇÕES SUB-HUMANAS
A vítima mantinha e conservava a propriedade rural sozinho desde novembro de 2018, e morava em um barraco de madeira. Para sobreviver, ele bebia água diretamente de um rio próximo, e armazenava água em recipientes reutilizados de óleo lubrificante de motor. O idoso aguardava a decantação do barro para, depois, consumi-la. Segundo os fiscais, a água que ele consumia continuava turva e imprópria.
As refeições eram basicamente: arroz, feijão, óleo, sal e temperos. Aos fiscais, a vítima afirmou que chegou a ficar anos sem consumir carne ou frango. Do rio, ele pescava piranhas e consumia apenas a cabeça. Com o restante, ele alimentava os porcos que tinha obrigação de cuidar na propriedade rural.
Em 2025, ele chegou a ficar três meses sem receber mantimentos. O idoso contou que sobreviveu de abóboras que cultivava e das piranhas que pescava. A vítima afirmou que chegou a cogitar abandonar o trabalho, mas desistiu por medo de perder os direitos trabalhistas.
A fiscalização identificou ainda que as paredes do barraco onde a vítima vivia tinham tábuas desalinhadas e com frestas, deixando o interior exposto a intempéries e à entrada de animais. O telhado tinha goteiras e a cama tinha detritos. Ao lado de onde dormia, havia lixo acumulado.
Os agentes identificaram ainda que a vítima é analfabeta, tem deficiência auditiva e problemas de visão. Para buscar atendimento médico, tinha que andar 27 quilômetros. Após o resgate, ele recebeu atendimento médico e uma nova carteira de identidade. A vítima também foi encaminhada para requerimento de benefício previdenciário ou assistencial.
Um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) foi firmado, e o proprietário do local deverá pagar verbas rescisórias e indenização por danos morais ao idoso, que agora ficará com familiares no município de São Félix do Xingu.
Por Roma News







