O Pará registrou um aumento de 19% nos casos de feminicídio de janeiro a novembro de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup). Foram 56 ocorrências em 2025 contra 47 no ano anterior, enquanto todo o ano de 2024 contabilizou 54 casos. Esses números refletem uma tendência preocupante de violência letal contra mulheres motivada pela condição de sexo feminino, conforme definido pela legislação brasileira. Em meio a esse cenário, manifestações como o “Levante Mulheres Vivas” ocorreram neste sábado (6) em Belém e outras cidades paraenses, repercutindo nacionalmente e chamando atenção para a necessidade de prevenção e mudanças sociais.
Os dados da Segup indicam que o estado enfrenta uma média superior a um feminicídio por semana em 2025. No Brasil como um todo, o Mapa Nacional da Violência de Gênero registrou 718 feminicídios no primeiro semestre de 2025, enquanto o Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta para estatísticas crescentes em diversas regiões.
No Pará, embora haja relatos de redução em alguns indicadores de violência contra a mulher em 2024, com 50 casos registrados segundo algumas fontes, o aumento recente destaca a persistência do problema. Além disso, o estado computou uma média de 28 casos diários de violência contra mulheres em 2025, conforme o Ministério das Mulheres.
No Pará muitos casos repercutiram em 2025 e esses episódios ilustram a diversidade de contextos e métodos, mas com o denominador comum da violência de gênero. O combate contra esse tipo de violência, apesar do engajamento de muitos, vem crescendo e ainda pode ser subnotificado por conta de muitas vítimas não denunciarem.
As mulheres enfrentam significativas dificuldades para denunciar agressões, o que contribui para a subnotificação e perpetuação do ciclo de violência. De acordo com pesquisas, 73% das vítimas citam o medo como principal obstáculo, seguido por vergonha, dependência financeira do agressor e falta de confiança na justiça.
Outros entraves incluem o funcionamento limitado das Delegacias da Mulher, restrito ao horário comercial, e barreiras como intimidações e falta de rede de apoio.
No Pará, iniciativas como a Delegacia Especializada em Feminicídio e Outras Mortes Violentas contra Gênero (Defem), o sistema “Alerta Pará Mulher”, o aplicativo SOS Maria da Penha e o Programa Pró-Mulher Pará buscam fortalecer a rede de proteção, conforme nota da Segup. Nacionalmente, canais como o Ligue 180 oferecem orientação sobre direitos e serviços.
Para combater o feminicídio, especialistas e campanhas enfatizam a necessidade de mudanças na mentalidade masculina, promovendo a desconstrução de padrões patriarcais e o engajamento ativo dos homens na prevenção.
A campanha Laço Branco, celebrada globalmente e no Brasil em 6 de dezembro – Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres –, incentiva gestos concretos contra comportamentos machistas. Iniciativas como HeForShe, lançada pela ONU Mulheres no Brasil, mobilizam homens para o fim da violência de gênero por meio de manifestos e ações transformadoras. A campanha global “Homens em Movimento”, da Promundo, envolve mais de 20 países em esforços para que homens sejam parte da solução, questionando normas culturais que tratam mulheres como objetos.
A manifestação “Levante Mulheres Vivas” repercutiu fortemente neste fim de semana, com atos em Belém, Castanhal, Marabá e Santarém no Pará, alinhados a uma mobilização nacional contra o feminicídio e todas as formas de violência de gênero.
Em Belém, o ato iniciou às 8h no Boulevard da Gastronomia, com caminhada a partir das 9h30 rumo ao centro comercial. Organizado por coletivos sociais e suprapartidário, o evento contou com elementos simbólicos como cores lilás e preto em sinal de luto, palavras de ordem como “Mulheres! Vivas!” e rememoração às vítimas. A data foi antecipada para sábado no Pará para evitar conflito com o Enem no domingo. Nas redes sociais, postagens destacaram a indignação coletiva, com imagens de participantes e mensagens de parlamentares como a vereadora Vivi Reis (Psol), que apontou casos recentes como motivadores.
Representantes de organizações como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) enfatizaram a vulnerabilidade das mulheres em contextos de impactos ambientais e violência doméstica. O movimento, impulsionado por um grupo nas redes com cerca de 400 participantes, se estendeu a mais de 15 cidades brasileiras, com atos previstos para domingo em outros estados.
Essas ações destacam a urgência de políticas integradas, desde o fortalecimento de denúncias até a educação para igualdade de gênero, em um esforço para reduzir os índices alarmantes e garantir a proteção às mulheres no Pará e no Brasil.
