Série de assassinatos atribuída a Kolthoum Akbari teria durado mais de 20 anos e envolvido homens idosos em diferentes cidades iranianas
A condenação de Kolthoum Akbari, conhecida pela imprensa como a “Viúva Negra do Irã”, voltou a ganhar repercussão internacional em agosto de 2026 após a divulgação de novos detalhes sobre um dos casos criminais mais chocantes da história recente do país. A iraniana foi considerada culpada pela morte de 11 homens, a maioria deles maridos ou companheiros, em uma sequência de crimes que teria se estendido por mais de duas décadas.
Segundo autoridades judiciais iranianas, Akbari utilizava relacionamentos amorosos para se aproximar de homens idosos, frequentemente viúvos ou vivendo sozinhos. Após conquistar a confiança das vítimas, ela supostamente administrava medicamentos, sedativos e outras substâncias para enfraquecê-las antes de provocar suas mortes.
A Justiça iraniana concluiu que os homicídios ocorreram entre o início dos anos 2000 e 2023, período em que a acusada se casou diversas vezes e acumulou patrimônio obtido por meio de heranças, dotes e bens deixados pelas vítimas.
O início dos crimes
Nascida por volta de 1967, na província de Mazandaran, no norte do Irã, Kolthoum Akbari teve uma trajetória marcada por sucessivos relacionamentos. Investigadores afirmam que os primeiros assassinatos ocorreram no começo dos anos 2000.
Durante os interrogatórios, ela confessou ter matado um de seus maridos, identificado em reportagens locais como Alijan, utilizando álcool industrial e posteriormente sufocando a vítima. O caso, porém, não despertou suspeitas na época porque a morte foi tratada como natural.
Nos anos seguintes, mortes semelhantes passaram a se repetir.
Vítimas em diferentes cidades
As investigações revelaram que os crimes ocorreram em diversas cidades da província de Mazandaran, incluindo Sari, Babol, Neka, Mahmudabad e Qaem Shahr.
A dispersão geográfica dificultou o trabalho das autoridades e impediu que as mortes fossem associadas umas às outras por muitos anos.
De acordo com os investigadores, Akbari costumava procurar homens com idade avançada, frequentemente aposentados e sem convivência próxima com familiares. Em vários casos, as vítimas apresentavam problemas cardíacos ou outras doenças, o que ajudava a mascarar os homicídios.
O erro que levou à descoberta
O caso começou a ruir em 2023, após a morte de Gholamreza Babaei, de 82 anos, apontado como uma das últimas vítimas.
Antes de morrer, Babaei teria relatado aos filhos que sua esposa insistia para que ele tomasse medicamentos e que frequentemente perdia a consciência após ingerir os remédios oferecidos por ela.
Desconfiados, os familiares procuraram as autoridades após o falecimento do idoso.
A denúncia levou a uma investigação aprofundada sobre o histórico de relacionamentos da mulher. Os policiais descobriram que vários ex-maridos haviam morrido em circunstâncias semelhantes.
Em setembro de 2023, Kolthoum Akbari foi presa.
Confissão chocou investigadores
Durante os interrogatórios, a acusada fez declarações que repercutiram na imprensa iraniana.
Segundo relatos divulgados por veículos locais, ela afirmou não se lembrar exatamente de quantos homens havia matado.
Em um dos depoimentos, chegou a dizer que o número de vítimas poderia variar entre 13 e 15 pessoas.
Apesar dessas declarações, a Justiça conseguiu comprovar judicialmente a responsabilidade por 11 homicídios.
As investigações também identificaram que Akbari teve aproximadamente 19 casamentos formais e cerca de 18 uniões temporárias, modalidade permitida pela legislação iraniana conhecida como sigheh.
Julgamento e condenação
Após quase dois anos de investigação e análise de provas, o julgamento foi concluído em setembro de 2025.
O tribunal considerou Akbari culpada por 11 assassinatos e por uma tentativa de homicídio.
Como parte da sentença, ela recebeu:
- 10 condenações à pena de morte;
- 10 anos adicionais de prisão por tentativa de assassinato.
A decisão foi baseada no princípio jurídico islâmico conhecido como qisas, frequentemente traduzido como “olho por olho”. Em parte dos casos, familiares das vítimas exigiram a aplicação da pena capital.
Debate internacional
A repercussão do caso ultrapassou as fronteiras iranianas e reacendeu discussões sobre a pena de morte.
Organizações como a Amnesty International e a Human Rights Watch, que mantêm posição contrária à pena capital, voltaram a criticar o uso desse tipo de punição pelo sistema judicial iraniano.
Embora as entidades não tenham questionado a gravidade dos crimes atribuídos a Akbari, elas defendem que mesmo autores de homicídios múltiplos devem cumprir penas alternativas, como prisão perpétua.
Por outro lado, familiares das vítimas e setores da sociedade iraniana consideraram a sentença proporcional à dimensão dos crimes.
Um dos maiores casos criminais do Irã
Especialistas locais apontam que o caso da chamada “Viúva Negra do Irã” está entre os mais significativos da história criminal do país devido à quantidade de vítimas, à duração da sequência de crimes e à capacidade da acusada de evitar suspeitas durante mais de duas décadas.
Mesmo após a condenação, investigadores não descartam a possibilidade de existirem outras mortes relacionadas a Kolthoum Akbari que jamais foram oficialmente esclarecidas.
Se essa hipótese for confirmada, o número real de vítimas poderá ser ainda maior do que aquele reconhecido pela Justiça iraniana.
Por Ver-O-Fato








