“TCP” surge após execução de influenciadora e levanta alerta sobre possível atuação de organização criminosa no Pará

A sigla “TCP” foi pichada na casa onde morreu a influenciadora Evelyn Dantas, de 21 anos, assassinada a tiros durante a madrugada desta quarta-feira (16), em Mãe do Rio, no Pará. O caso chama atenção para uma possível tentativa de atuação de uma organização criminosa no estado.

Segundo informações divulgadas sobre o caso, a sigla seria uma referência ao Terceiro Comando Puro, organização criminosa que surgiu no Rio de Janeiro e tem atuação associada principalmente ao Complexo de Israel, na zona norte da capital fluminense.

A organização surgiu em 2002, como uma dissidência do Comando Vermelho, e tem como principal liderança apontada Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como “Peixão”.

A organização também é conhecida pelo uso de símbolos religiosos em áreas sob sua influência. Entre as referências citadas estão estrelas de Davi e frases de cunho religioso espalhadas por muros e outros pontos das comunidades.

Pesquisadores utilizam o termo “narcopentecostalismo” para descrever a mistura entre elementos do tráfico de drogas e determinados discursos religiosos. Reportagens já apontaram o uso da chamada “guerra espiritual” como parte da simbologia empregada pela organização em disputas territoriais.

Também há registros de episódios de intolerância religiosa atribuídos à atuação do grupo, incluindo denúncias de fechamento forçado de terreiros de umbanda e candomblé em áreas sob influência da organização.

Possível expansão para outros estados

Além do Rio de Janeiro, autoridades já registraram integrantes ou suspeitos de ligação com o grupo em diferentes estados brasileiros, incluindo Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Ceará, Amapá, Acre, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.

No Espírito Santo, por exemplo, um homem apontado como integrante da organização foi preso pela Polícia Civil. Segundo as autoridades, ele estava com um fuzil e duas submetralhadoras.

Envolvimento de Evelyn Dantas

Evelyn Dantas era investigada pela morte do sargento da reserva da Polícia Militar Antônio Anildo Alves, conhecido como “Boçal”. Ela havia sido presa em flagrante em julho, sob suspeita de abrigar entorpecentes e prestar apoio logístico aos envolvidos na execução do militar.

A influenciadora havia conseguido liberdade provisória poucos dias antes de ser assassinada e retornado para a residência da família em Mãe do Rio.

Na madrugada desta quarta-feira (16), dois homens armados teriam invadido o imóvel, arrastado Evelyn para a rua e efetuado diversos disparos contra ela.

A inscrição “TCP” encontrada no local deverá ser considerada pelas autoridades durante as investigações. Até o momento, não há confirmação pública de que a organização criminosa tenha participação no assassinato.

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