O avanço das queimadas no Pará levou o Ministério Público Federal (MPF) a cobrar medidas emergenciais para reforçar o combate aos incêndios florestais no estado. A preocupação aumenta diante do registro de mais de 11 mil focos de calor durante o mês de outubro, além de ocorrências que ameaçam áreas ambientais e comunidades tradicionais.
Entre as principais medidas recomendadas pelo MPF está a criação de um Comitê de Crise Integrado, que deverá reunir representantes do Governo Federal, do Governo do Pará e de órgãos ambientais para coordenar as ações de prevenção e combate ao fogo.
O órgão também cobra o envio imediato de mais brigadistas, fiscais ambientais, policiais federais, policiais rodoviários federais e integrantes da Força Nacional para as regiões mais afetadas.
Incêndio subterrâneo preocupa em Alter do Chão
Em Alter do Chão, distrito de Santarém, no oeste paraense, a situação também chama atenção. Um incêndio subterrâneo em uma área de turfa, nas proximidades do igarapé do Camarão, preocupa as equipes de combate.
Segundo informações da Brigada de Alter do Chão, o fogo ocorre abaixo da superfície do solo, o que dificulta a identificação e o acesso ao local. Mesmo sem grandes chamas visíveis, a combustão pode continuar avançando pela matéria orgânica acumulada no terreno.
Outro fator que aumenta a preocupação são relatos de marcações para possíveis loteamentos nas proximidades da área atingida. A informação levanta suspeitas, mas ainda não comprova uma relação entre as marcações e a origem do incêndio.
Pará lidera registros de focos de calor
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apresentados pelo MPF, apontam que o Pará registrou 11.274 focos de calor entre os dias 1º e 27 de outubro de 2026, liderando o ranking nacional.
Entre os municípios com mais registros estão Uruará, São Félix do Xingu, Altamira, Portel e Santarém.
A fumaça também compromete a qualidade do ar. Em Santarém, a prefeitura decretou emergência ambiental após o agravamento da situação. O monitoramento da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) chegou a classificar a qualidade do ar como muito ruim.
MPF estabelece prazo para os órgãos públicos
Os órgãos notificados pelo Ministério Público Federal têm dez dias corridos para informar se vão atender às recomendações e apresentar documentos que comprovem as providências adotadas.
Caso as medidas não sejam implementadas, o MPF poderá adotar providências administrativas e recorrer à Justiça para cobrar ações das autoridades responsáveis.
Fonte: Diário do Pará / Ministério Público Federal (MPF).







