A Polícia Civil do Amazonas (PCAM) prendeu nesta segunda-feira (6) o professor de jiu-jítsu Carlos Vieira Holanda, investigado por estupro de vulnerável, exploração sexual e importunação contra pelo menos sete alunas menores de idade em Manaus. Segundo as investigações conduzidas pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), o suspeito estava foragido há mais de um mês e utilizava sua posição de autoridade no esporte para atrair e intimidar as vítimas.
O esquema criminoso vinha à tona após as adolescentes relatarem o modus operandi do treinador. Aproveitando o encerramento das aulas, Holanda oferecia carona às atletas sob o pretexto de levá-las para casa. No entanto, ele desviava a rota e conduzia as jovens a motéis e hotéis da capital amazonense, onde os abusos eram consumados.
Alunas eram aliciadas com promessas de patrocínio
De acordo com a Depca, o professor utilizava a vulnerabilidade social e o sonho esportivo das adolescentes como isca. Ele prometia a compra de quimonos e o pagamento de inscrições em campeonatos de jiu-jítsu para conquistar a confiança das vítimas.
A investigação policial revelou uma engrenagem ainda mais grave: o esquema de exploração sexual. Carlos Holanda atuava como intermediário, oferecendo as adolescentes a patrocinadores e empresários em troca de vantagens financeiras para a manutenção da equipe esportiva.
Em um dos relatos contidos nos autos do processo, uma das jovens foi obrigada pelo professor a se encontrar com um empresário e a produzir conteúdo sexual com ele. O suspeito costumava atrair os abusadores sinalizando a chegada de “meninas novas” à modalidade. A Polícia Civil informou que os empresários envolvidos já foram identificados e também responderão criminalmente.
Medo, intimidação e denúncia das vítimas
As sete vítimas identificadas até o momento relataram que o silêncio era mantido devido ao medo e à manipulação. O investigado utilizava seu status e influência no cenário esportivo para intimidar as jovens, tentando convencê-las de que os atos não configuravam crime.
A coragem para denunciar surgiu após a repercussão recente de outros casos de violência sexual no esporte. A polícia acredita que o número de vítimas seja ainda maior e reforça o pedido para que outras possíveis afetadas procurem a delegacia para registrar a ocorrência.
A Depca ressaltou, em nota, que este é um caso isolado e que a conduta do investigado não reflete a realidade do jiu-jítsu, reforçando que o esporte continua sendo um ambiente saudável para o desenvolvimento de crianças e jovens.
Tentativa de fuga cinematográfica pelos telhados
A prisão de Carlos Holanda mobilizou um forte cerco policial. Para evitar a captura, o professor havia modificado a estrutura de sua residência, instalando tábuas na laje para criar uma rota de fuga rápida em direção aos telhados dos vizinhos.
No momento da abordagem, o suspeito tentou escapar pela laje, mas a equipe da Depca já havia mapeado o perímetro e frustrou a tentativa. Um homem que estava no local e tentou alertar o professor sobre a chegada dos policiais foi contido. A Polícia Civil informou que todos os que colaboraram para ocultar o foragido serão formalmente investigados por favorecimento pessoal.
Ao chegar à sede da delegacia especializada, o professor utilizou seu direito constitucional de permanecer em silêncio e não respondeu aos questionamentos dos agentes, alegando inocência apenas de forma informal.
Por Ver-O-Fato







