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PM é suspeito de intimidar equipe que fez busca e apreensão na casa de parente de Gilberto Martins

PM está sob a suspeita de intimidar a equipe que fez busca e apreensão na casa de parente do PGJ Gilberto Martins, do qual ele é assessor militar.

APromotoria de Justiça Militar (PJM) abrirá inquérito policial para investigar uma suposta tentativa de obstrução à Justiça cometida por um tenente coronel da Polícia Militar lotado no gabinete do procurador geral de Justiça, Gilberto Martins. O caso ocorreu durante a “Operação Quimera”, executada na última sexta-feira (9), e que investiga superfaturamento e fraudes na compra de respiradores por parte da Prefeitura de Belém.

O secretário municipal de Saúde do prefeito Zenaldo Coutinho (PSDB), Sérgio Amorim, cunhado de Gilberto, foi um dos alvos dos mandados de busca e apreensão determinados pela Justiça Estadual. A estimativa de prejuízo aos cofres públicos é de mais de R$ 1 milhão.

A delegada de Polícia Civil Daniela Borges Vasconcelos, registrou um boletim de ocorrência narrando o fato. Ela participou do cumprimento dos mandados em um dos endereços do titular da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), no bairro de Nazaré, onde moraria a mãe do gestor, por volta das 6h do dia 9. Como ela não estava no apartamento, a irmã de Sérgio foi chamada para abrir o imóvel.

Cerca de 15 minutos antes da chegada da irmã, um tenente coronel da PM apareceu no local e se identificou pela patente e pelo nome de Afonso Geomarcio Alves dos Santos. Ele chegou filmando, com um telefone celular, a delegada e os demais participantes da operação, e pediu a identificação de todos, sendo repreendido pelos policiais civis pela atitude que estava tomando. O caso chegou ao conhecimento do promotor de Justiça Militar Armando Brasil, a partir do boletim de ocorrência e das imagens feitas na ocasião pela polícia. Ele confirmou a abertura do inquérito para averiguar o ocorrido. O caso também será encaminhado à Corregedoria da PM.

No vídeo feito durante a chegada de Geomarcio, fica clara essa tentativa de intimidação. Considerando que ele não era parte das investigações e nem compunha a equipe que cumpria os mandatos, a presença do PM constrangeu os policiais, que pediram que ele não mais os filmasse. No vídeo, ele é indagado pelos policiais, ainda no corredor que dá acesso à residência, sobre o motivo dele estar filmando a equipe e ele respondeu que estava cumprindo ordens do “doutor Gilberto”, que levar a crer que seria Gilberto Martins, procurador geral de justiça, ao qual o PM é subordinado. Fato reforçado por Gilberto ser cunhado do secretário Sérgio Amorim, alvo da investigação. Geomarcio chegou ao local em um veículo Ranger Over, registrado como de propriedade da Norteseg.

Investigação 

Na última sexta-feira, a Justiça determinou busca e apreensão na casa do secretário municipal de Saúde Sérgio Amorim, na sede da Sesma, e em outros endereços da capital. A Operação Quimera foi realizada pela Polícia Civil. Na casa de Amorim foram apreendidos contratos licitatórios, mídias, telefone celular e outros documentos, além de uma quantia em dinheiro.

A Quimera chegou também à casa de empresária Genny Missora Yamada, dona de uma empresa que forneceu respiradores e outros insumos pagos com recursos do Fundo Municipal da Saúde que ultrapassaram R$ 1 milhão. Ambos tiveram ainda seus sigilos bancários e fiscais derrubados por ordem da Justiça. Amorim ainda teve R$ 740 mil bloqueados por ordem judicial.

A operação foi determinada pelo juiz de Direito Heyder Tavares da Silva Ferreira, titular da 1ª Vara Penal dos Inquéritos de Polícias e Medidas Cautelares de Belém, a partir da apuração da Polícia de um esquema criminoso envolvendo a Sesma sob a suspeita de crimes como fraude à licitação, falsidade ideológica, corrupção passiva e ativa, dentre outros atos ilícitos. As denúncias foram recebidas pela Divisão de Combate à Corrupção de Desvio de Recursos Públicos (Decord), e os prejuízos envolvendo a GM Serviços Comércio e Representação Eireli, inicialmente, somavam R$ 740,6 mil, mas podem ultrapassar R$ 1,1 milhão.

Denúncia

O DIÁRIO DO PARÁ denunciou o caso em reportagem publicada no dia 21 junho deste ano. A matéria mostra que o prefeito Zenaldo Coutinho pagou R$ 260 mil por um respirador, bem mais do que outros gestores. A informação foi tirada do site da Prefeitura que mostrava os gastos no combate à Covid-19. Dias após a reportagem, as informações foram retiradas da página e republicada com alterações nas informações sobre a compra de equipamentos.

Dol

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