
Clinicamente foi diagnósticado com morte encefálica, mas só um exame eletroencefalograma pode dar um diagnóstico mais definitivo.
A notícia que a maioria da população de Abaetetuba recebeu é triste: padre Francisco Moraes teve, clinicamente diagnosticada, “morte encefálica”. Entretanto, segundo o boletim médico divulgado nesta sexta-feira, “só o exame de eletroencefalograma pode dar um diagnóstico mais preciso e definitivo”. Agora há pouco conversei, por telefone, com o padre Renilson Macedo, que acompanha de perto o estado de saúde do padre Francisco lá no hospital Santa Maria, em Ananindeua, e ele me informava que essa resposta mais concreta, da constatação oficial da medicina, pode sair ainda na manhã deste sábado.
Instantes atrás eu estava na catedral de Nossa Senhora da Conceição, onde acompanhei a missa que encerrou um dia inteiro de preces pela saúde do padre Francisco. Entrevistei o celebrante, padre Leonardo Ribeiro, e ele me dizia que Francisco, na última conversa que tiveram, recentemente, demonstrava extrema preocupação com ele, Leonardo, pelo fato do padre andar por muitos lugares em missão e o risco de contrair a Covid-19 era enorme. Leonardo, emocionado, me disse que todos sentem a ausência de Francisco. Também conversei com o Paulo Madson e ele me citava o exemplo de uma pessoa desenganada pela medicina, mas, profundamente religiosa, salva pela fé.
Eu, pessoalmente, sempre vejo Francisco como um jovem atuante na sua comunidade, cheio de sonhos e com muita vontade de acertar em seus projetos. Fui atendê-lo, lá em 2017, no pedido de divulgação do processo de canonização de D. Ângelo Frosi, do qual ele era o responsável direto, lutando pelo reconhecimento do ex-bispo de Abaetetuba como santo da Igreja Católica. Seguiram-se várias reportagens, como aquela em que ele idealizou os sinos musicais da catedral e lá estávamos nós, empolgados, ele como o pároco e eu como o jornalista que cresci ali perto da igreja matriz. Padre Francisco sempre me mandava mensagens, inúmeras, com sugestões de pautas sobre as ideias que ele sempre tivera. Um sonhador!
Em agosto, o entrevistei sobre o cartaz de Nossa Senhora da Conceição. Apesar da pandemia, ele imaginava realizar a festividade da padroeira, com ou sem caminhada, mas que aconteceria de alguma forma. Nossa última troca de mensagens via celular foi no dia 16 de outubro, praticamente um mês atrás. Nesse dia, ele me aguardava, assim como a vários outros colegas da imprensa, para apresentar, ao lado do bispo D. José, o planejamento para o Círio de Conceição. E naquele jeitão simples e incisivo, me cobrava com poucas palavras: “Bom dia. Na sua espera!!!” Eu fui, claro, como sempre atendi aos seus chamados. Fico feliz por isso!
Abaetetuba, 13 de novembro de 2020
Naldo Araújo














