Após quase um mês de tensão e três mortes a bordo, viajantes de 19 nacionalidades deixam o navio MV Hondius sob forte esquema de segurança sanitária.

O pesadelo em alto-mar finalmente chegou ao fim para dezenas de viajantes que transformaram férias em um isolamento forçado. Neste domingo (10), 94 passageiros do navio MV Hondius desembarcaram em Tenerife, nas Ilhas Canárias, encerrando uma jornada de 29 dias marcada pelo medo de um surto de hantavírus. A operação de repatriação, coordenada pelo governo espanhol, mobilizou aviões para diversos cantos do mundo, em um esforço para devolver cidadãos de 19 nacionalidades aos seus lares com segurança.

A movimentação no porto de Granadilla de Abona começou cedo, por volta das 6h30. Antes de pisarem em solo firme, os passageiros passaram por um rigoroso processo de desinfecção e monitoramento constante. A ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, acompanhou o desembarque e garantiu que tudo ocorreu sob total normalidade e segurança.

Embora a maioria tenha deixado o navio sem apresentar sintomas, o sinal de alerta acendeu pouco depois da decolagem: um dos passageiros franceses começou a se sentir mal a caminho de Paris. Enquanto isso, o restante do grupo seguiu para destinos como Reino Unido, Canadá, Turquia e Holanda. No caso dos britânicos, o protocolo é ainda mais rígido, incluindo uma quarentena obrigatória de 72 horas nas proximidades de Liverpool.

O que deveria ser uma rota turística entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde, na África, tornou-se um cenário de luto. Durante as quatro semanas de navegação, três pessoas perderam a vida devido à doença. A primeira morte ocorreu apenas dez dias após a partida, seguida por outros dois óbitos que espalharam o pânico entre a tripulação e os turistas.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, elogiou a competência técnica da Espanha, mas não poupou críticas à postura dos Estados Unidos. Para Tedros, a decisão do governo americano de não isolar seus cidadãos que estavam no navio é arriscada e pode comprometer a segurança sanitária global.

Apesar do cenário assustador, especialistas pedem calma. O renomado infectologista Robert C. Gallo, um dos pioneiros na descoberta do HIV, explicou que o risco de uma transmissão em massa do hantavírus para a população geral é considerado muito baixo. Segundo ele, no indivíduo infectado, o vírus é extremamente sério porque ataca os vasos sanguíneos e gera uma resposta imunológica agressiva, similar a casos graves de HIV, mas não há motivo para temer uma epidemia global generalizada.

A previsão é que os 52 ocupantes restantes do MV Hondius deixem a embarcação ainda nesta segunda-feira (11), encerrando oficialmente um dos episódios mais tensos da navegação recente.

Por Roma News

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