Pará entra em alerta para estiagem, calor e aumento de queimadas

Medida tem validade de 180 dias e visa antecipar ações contra estiagem e incêndios florestais no estado. Decreto não configura situação de emergência

O Governo do Pará declarou, na segunda-feira (24), situação de alerta climático e ambiental em todo o território estadual. A medida, estabelecida por decreto, tem caráter preventivo e foi adotada com base nas projeções meteorológicas para 2026 e 2027, que apontam forte influência do fenômeno El Niño na região amazônica.

De acordo com publicação no Diário Oficial do Estado (DOE), o estado de alerta terá vigência inicial de 180 dias, podendo ser prorrogado caso as condições climáticas extremas continuem.

O objetivo principal, segundo o decreto, é permitir que o poder público se antecipe aos impactos sociais, ambientais e econômicos causados pelas alterações no clima.

Apesar da gravidade do cenário projetado, o governo estadual afirmou que a medida não representa a decretação de situação de emergência ou de calamidade pública, mas um instrumento administrativo de planejamento e prevenção.

Quais são os riscos previstos?

As projeções meteorológicas para o período sob influência do El Niño acendem o alerta para diversos problemas ambientais e de saúde pública no Pará, tais como:

  • Redução drástica no volume de chuvas e severa estiagem;
  • Diminuição da disponibilidade de água potável (crise hídrica);
  • Aumento de focos de incêndios florestais e queimadas;
  • Ondas de calor extremo;
  • Piora na qualidade do ar devido à fumaça.

Ações preventivas e populações prioritárias

O decreto prevê uma força-tarefa integrada entre secretarias de meio ambiente, defesa civil, saúde e órgãos de segurança pública.

O foco das ações será o atendimento a comunidades tradicionais e grupos mais vulneráveis aos impactos do clima, como povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.

Entre as medidas emergenciais autorizadas pelo decreto estão:

  • Combate ao fogo: Fortalecimento e ampliação das brigadas de incêndio florestal;
  • Abastecimento: Implantação de sistemas de captação de água e distribuição emergencial de água potável e alimentos;
  • Saúde pública: Formação de estoques estratégicos de medicamentos e insumos, além de ações de saúde para enfrentar a fumaça e o calor extremo;
  • Economia local: Apoio financeiro e técnico para a agricultura familiar e a pesca artesanal.

Planejamento e monitoramento contínuo

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) será o órgão estratégico responsável por monitorar em tempo real as condições do clima e coordenar as ações nos municípios mais afetados.

“Com esse alerta, ampliamos nossa capacidade de antecipar cenários, integrar esforços e adotar as medidas necessárias para proteger a população, os recursos naturais e as atividades econômicas”, explicou o secretário da Semas, Raul Protázio Romão.

Além das ações imediatas de socorro, o decreto determina a elaboração do Plano Estadual de Adaptação à Mudança do Clima do Estado do Pará (PEAC).

O documento servirá como um guia de longo prazo para preparar as diferentes regiões do Pará para os desafios impostos pelo aquecimento global e eventos climáticos extremos.

Por G1

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