A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), em liberdade na Itália, criou uma comunidade virtual com mensalidade de R$ 50 para custear despesas pessoais. Ela alega dificuldades para abrir conta bancária e trabalhar no país europeu.
A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e atualmente em liberdade na Itália, voltou a recorrer à ajuda financeira de apoiadores para custear suas despesas pessoais. Em vídeo divulgado nas redes sociais e repercutido nesta terça-feira (3 de novembro), a ex-parlamentar anunciou a criação de uma comunidade virtual com mensalidade de R$ 50, alegando que não consegue abrir uma conta bancária nem trabalhar formalmente no país europeu.
Zambelli responsabilizou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, pelas dificuldades que afirma enfrentar desde que deixou o Brasil, em 2025, após uma condenação relacionada à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
“Moraes destruiu a minha vida”, declarou a ex-deputada, ao criticar o bloqueio de seus bens e as consequências dos processos judiciais.
Segundo ela, as informações sobre sua situação criminal registradas nos mecanismos de cooperação policial internacional estariam impedindo instituições financeiras de aceitar sua abertura de conta.
A alegação de que bancos italianos e de outros países recusaram seus pedidos por esse motivo, entretanto, não foi comprovada de maneira independente.
Comunidade virtual para arrecadar fundos
Para conseguir recursos, Zambelli anunciou uma plataforma digital destinada aos seguidores que desejarem contribuir com R$ 50 mensais.
Em contrapartida, os assinantes terão acesso a conteúdos exclusivos, incluindo comentários sobre diferentes assuntos e relatos de experiências vividas durante o período em que esteve presa na Itália.
No vídeo, a ex-parlamentar reconheceu que nem todos os simpatizantes dispõem de condições financeiras para colaborar, mas dirigiu um apelo àqueles que acompanharam sua trajetória política.
“Se você um dia me admirou, eu te peço essa ajuda, para que você entre nessa comunidade e faça a sua inscrição, para que eu possa me manter aqui na Itália, até as coisas se resolverem no Brasil”, afirmou.
A ex-deputada disse que pretende utilizar os valores arrecadados para cobrir despesas enquanto busca uma forma de trabalhar e reorganizar sua vida financeira.
Bloqueio de bens e histórico de arrecadações
Em junho de 2025, Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros de Zambelli, além de decretar sua prisão preventiva a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Na gravação divulgada agora, a ex-parlamentar afirmou que os efeitos dessas medidas ultrapassaram o território brasileiro.
Segundo sua versão, a impossibilidade de abrir uma conta bancária na Itália também dificulta a obtenção de emprego, porque os empregadores exigiriam uma conta em nome do funcionário para realizar os pagamentos.
Ex-deputada já arrecadou dinheiro em outras campanhas
Esta não é a primeira vez que Zambelli solicita contribuições financeiras para permanecer no exterior.Em 2025, a então parlamentar afirmou ter recebido aproximadamente R$ 285 mil em uma campanha de arrecadação realizada por meio de transferências via Pix.
Já em julho de 2026, uma nova iniciativa destinada a custear aluguel e despesas na Itália havia arrecadado cerca de 2,4 mil euros, aproximadamente R$ 15 mil na cotação utilizada à época.
O montante representava pouco mais de 5% do valor obtido na campanha anterior, segundo levantamento publicado pelo portal R7.
A nova proposta, baseada em assinaturas mensais, busca estabelecer uma fonte recorrente de receita, diferentemente das campanhas de doações pontuais.
Condenações e extradição
A situação judicial de Carla Zambelli começou a se agravar após sua condenação a dez anos de prisão pelo STF, em processo relacionado à invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A investigação apontou sua participação na inserção de documentos falsos no sistema, incluindo um mandado de prisão fraudulento contra Alexandre de Moraes.
Depois da condenação, Zambelli deixou o Brasil e seguiu para a Europa. Em julho de 2025, foi presa em Roma a pedido das autoridades brasileiras.
Ela permaneceu detida até maio de 2026, quando foi colocada em liberdade após decisão da Justiça italiana contrária à sua extradição naquele processo.
A libertação não anulou a condenação brasileira. A ex-deputada continua sujeita às decisões judiciais proferidas no Brasil.
Decisão sobre extradição está prevista para novembro
Zambelli também foi condenada pelo STF a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.O processo está relacionado ao episódio ocorrido em outubro de 2022, quando a então deputada perseguiu o jornalista Luan Araújo com uma arma nas ruas de São Paulo, após uma discussão de natureza política.
Essa segunda condenação fundamenta outro pedido de extradição apresentado pelas autoridades brasileiras.
Em 27 de outubro de 2026, a Corte de Apelação de Roma adiou para 24 de novembro a análise do caso, após solicitação da defesa para examinar documentos relacionados às condições do sistema prisional brasileiro.
Enquanto aguarda a decisão, Zambelli permanece em liberdade na Itália, mas continua considerada foragida pela Justiça brasileira.
A iniciativa de cobrar R$ 50 mensais de apoiadores surge, portanto, em um momento de incerteza sobre sua permanência no país europeu e sobre as consequências das condenações impostas pelo STF.
Por Mojunews







