Roberto Waack, membro do conselho da MBRF, defende que o debate ambiental na região precisa evoluir para priorizar transporte, energia, regularização de terras.
A discussão sobre o futuro da floresta precisa de uma guinada profunda, deixando para trás conversas rasas e abraçando uma agenda real de desenvolvimento. Esse é o diagnóstico do especialista em sustentabilidade e governança corporativa Roberto Waack, que integrou um debate promovido pelo Estadão para buscar soluções estruturais para o Brasil.
Para ele, o coração de qualquer plano para a Amazônia deve ser um verdadeiro choque de infraestrutura, capaz de tirar a região do isolamento e corrigir distorções históricas alarmantes. “É absurda a situação da infraestrutura na Amazônia. A gente não pode continuar a conviver com isso”, afirma.
Os números que sustentam esse alerta impressionam. Enquanto a região produz 34% de toda a energia do país, apenas 8% ficam retidos localmente, obrigando a população a consumir 40% de energia gerada por combustíveis fósseis. No saneamento básico, a situação é igualmente grave, atingindo apenas 30% dos domicílios. Para Waack, setores vitais como transporte, internet, escolas e energia sofrem com um abandono crônico que quase nunca entra nos planos estratégicos nacionais com a profundidade necessária. “A gente não tem densidade para realmente defender ou, pelo menos, apresentar um plano de infraestrutura em geral para a Amazônia”, pontua.
O especialista também aponta que a própria visão sobre a preservação natural mudou de patamar. Com bom humor, ele resume que “as árvores estão cansadas de serem abraçadas”, indicando que o ambientalismo moderno precisa caminhar lado a lado com a infraestrutura e a despolarização do tema. Isso passa, obrigatoriamente, por colocar ordem no caos fundiário da região onde existem cerca de 50 milhões de hectares de terras sem destinação oficial e cartórios desorganizados com títulos de propriedade falsificados até em estados distantes, como o Paraná. “É inadmissível que 50 milhões de hectares na região sejam terras sem destinação”, reforça.
Por fim, Waack alerta que a imagem bucólica da floresta foi substituída pelo avanço da criminalidade. Com 17 facções operando na área e taxas de mortalidade violenta que rondam os 40 casos por 100 mil habitantes bem acima dos 8 registrados em São Paulo, a resposta para a segurança pública não pode se basear apenas em modelos ultrapassados. “Não vai adiantar comando e controle. A gente precisa saber o que faz com aquilo”, conclui sobre a necessidade de inteligência e estratégia para proteger quem vive na região.
Roberto Waack é uma das vozes mais ativas e respeitadas nos debates sobre o desenvolvimento sustentável e o futuro da Amazônia. Com uma trajetória marcada pela atuação em grandes conselhos corporativos e organizações voltadas para o meio ambiente como o Instituto Arapyau e a MBRF, ele transita com facilidade entre o setor empresarial e a agenda socioambiental. Waack tem se destacado por defender uma guinada pragmática nos debates sobre a floresta, unindo a preservação ecológica à necessidade urgente de investimentos pesados em infraestrutura, regularização fundiária e combate ao crime organizado na região.
Por Roma News








