Esquema contava com a participação de policiais civis, militares e penais no Mato Grosso do Sul.
Imagine a cena: quem deveria combater o crime de dentro do sistema acaba fazendo exatamente o opuesto. Foi esse cenário alarmante que veio à tona nesta quinta-feira (24), no Mato Grosso do Sul, quando o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa se entregou à Corregedoria da Polícia Civil durante a Operação Infiltrados. Conduzida pelo Gaeco, a ação revelou um esquema em que agentes da segurança pública desviavam drogas apreendidas em operações para revendê-las a traficantes de uma facção criminosa.
O esquema funcionava de duas maneiras principais, segundo o Ministério Público estadual (MPMS): ou os policiais sumiam com uma parte da droga antes mesmo de registrar a ocorrência oficial, ou o material desaparecia diretamente dos depósitos das próprias delegacias. O foco principal eram grandes carregamentos de cocaína.
Tudo começou em outubro de 2025, a partir de pistas colhidas em outras investigações do Gaeco, as operações Traquetos e Blindspot. Foi cavando mais fundo nesses casos que os investigadores descobriram o envolvimento de servidores públicos.
A operação desta semana teve grande escala, cumprindo dezenas de mandados de busca e prisão em cidades como Campo Grande, Dourados e Terenos. O balanço parcial impressiona: ao todo, nove policiais civis, dois militares e um policial penal já estão atrás das grades.
O delegado Hoffman tem uma trajetória de destaque na segurança do estado, tendo passado pelo comando de unidades de peso como a Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) e o Garras (Grupo de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), antes de assumir a 6ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande em junho deste ano.
Até o momento, a defesa do delegado não se pronunciou sobre as acusações, mas o espaço permanece aberto para futuros esclarecimentos.
Por Roma News







