Brasil é o 2º país com mais mortes de crianças entre 0 e 9 anos por covid-19

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Segundo dados do Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (Sivep-Gripe), até o ultimo mês, 948 crianças de 0 a 9 anos morreram de covid-19 no Brasil. No perfil de vítimas, o Brasil fica atrás apenas do Peru. Na análise, foram considerados 11 países que registraram pelo menos mil mortes por milhão de habitantes e que possuem mais de 20 milhões de habitantes. O cálculo foi feito com apoio de Leonardo Bastos, estatístico da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Segundo Fátima Marinho, epidemiologista Sênior da Vital Strategies, organização global de saúde pública, o sistema de saúde do Peru é muito mais precário que o do Brasil. Por isso, já era esperado que o país registrasse índices piores. Na América Latina, o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro tinha capacidade para lidar melhor com a pandemia “O México tem um plano popular de saúde, mas é muito restrito. Quem não paga pelo menos esse plano morre na calçada. Esses tipos de sistema de saúde são um desafio. Com exceção da Argentina, Chile e Uruguai, estávamos mais bem preparados que os outros países latinos”, diz.

A maior parte das mortes aconteceu em maio de 2020, quando 131 crianças perderam a vida para a covid-19. Em seguida, vem abril de 2021, com 99 óbitos. Os bebês de até 2 anos foram as principais vítimas, correspondendo a 32,7% das mortes analisadas. Segundo dados do Sivep-Gripe, 57% das crianças mortas pela covid no Brasil eram negras (grupo que inclui pretos e pardos). As crianças brancas correspondem a 21,5% das vítimas, as amarelas (de origem asiática) a 0,9% e 16% não tiveram raça indicada.

A morte entre indígenas também foi expressiva. Apesar de representarem apenas 0,5% da população brasileira, 4,4% das crianças que perderam a vida para a covid-19 eram indígenas. Em números, foram 42 mortes, a maioria nos estados do Mato Grosso, com 12 mortes e Amazonas, com 11. A especialista enfatiza que o índice de mortalidade entre as crianças negras já era maior antes da pandemia. “Muitas das crianças negras residem em moradias superlotadas, com adultos que precisam sair para trabalhar, que têm empregos mais expostos ao vírus, que pegam transporte público. Dessa forma, a carga viral que chega para a criança é muito grande”, diz.

Vivian Botelho Lorenzo, intensivista pediátrica, orienta os pais a buscarem sempre um pediatra para avaliar os filhos. Dentre os sinais mais comuns da covid em crianças, ela cita sintomas respiratórios que podem evoluir para a falta de ar, além de sintomas gastrointestinais. “Crianças que evoluem com diarreia e vômito tendem a apresentar quadros mais graves da doença” destaca.

Fonte: Roma News

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