Anatel abre caminho para internet da Starlink direto no celular

A possibilidade de acessar a internet diretamente pelo celular, mesmo em regiões sem cobertura das operadoras tradicionais, está cada vez mais próxima da realidade brasileira. Em 3 de julho de 2026, o Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou alterações no regulamento de uso do espectro de radiofrequências, criando as bases para a operação de serviços de comunicação Direct to Cell (D2C) — tecnologia que permite a conexão entre smartphones e satélites em órbita baixa, sem a necessidade de antenas externas.

A decisão representa um marco para o setor de telecomunicações brasileiro e prepara o país para receber uma tecnologia que vem sendo desenvolvida principalmente pela Starlink, empresa da SpaceX, em parceria com operadoras móveis ao redor do mundo.

O que a Anatel aprovou

A medida aprovada pela Anatel não autoriza automaticamente o início das operações comerciais da Starlink no Brasil, mas estabelece o ambiente regulatório necessário para que empresas interessadas possam solicitar licenças para oferecer o serviço.

Na prática, a agência passou a permitir o uso compartilhado de determinadas faixas de radiofrequência por sistemas de satélites não geoestacionários e pelas redes de telefonia móvel. A mudança era considerada essencial para viabilizar a comunicação direta entre satélites e celulares.

Segundo a Anatel, cada projeto ainda deverá passar por análise técnica, certificação de equipamentos e autorização específica antes de entrar em operação comercial.

Como funciona a tecnologia

O sistema conhecido como Direct to Celltransforma satélites em órbita baixa em verdadeiras torres de telefonia móveis.

Diferentemente da internet via satélite convencional — que exige uma antena instalada na residência ou em veículos — a nova tecnologia permite que smartphones compatíveis se conectem diretamente aos satélites.

Inicialmente, o serviço foi desenvolvido para oferecer:

  • envio e recebimento de mensagens de texto;
  • compartilhamento de localização;
  • comunicações de emergência;
  • acesso básico à internet em áreas sem cobertura terrestre.

Com a expansão da constelação de satélites e o aumento da capacidade da rede, a expectativa é que chamadas de voz e conexões de banda larga também sejam disponibilizadas futuramente.

Cronologia da tecnologia

O desenvolvimento do Direct to Cell ganhou força em agosto de 2022, quando a SpaceX e a operadora norte-americana T-Mobile anunciaram uma parceria para eliminar as chamadas “áreas de sombra” da telefonia celular nos Estados Unidos.

Já em 2 de janeiro de 2024, a SpaceX lançou ao espaço os primeiros satélites Starlink equipados com antenas celulares capazes de operar a tecnologia Direct to Cell.

Poucas semanas depois, em 15 de janeiro de 2024, a empresa realizou o primeiro envio bem-sucedido de mensagens de texto entre um celular convencional e um satélite Starlink.

Em 2025, a empresa iniciou a fase comercial limitada do serviço de mensagens via satélite nos Estados Unidos, enquanto ampliava testes para chamadas de voz e transmissão de dados em velocidades maiores.

Agora, com a decisão regulatória da Anatel em julho de 2026, o Brasil passa a integrar o grupo de países que criaram condições legais para receber esse novo modelo de conectividade.

Benefícios para o Brasil

Especialistas avaliam que o maior impacto da tecnologia deverá ocorrer em regiões onde a instalação de torres de telefonia é economicamente inviável.

Entre as áreas que poderão ser beneficiadas estão:

  • comunidades isoladas da Amazônia;
  • regiões ribeirinhas;
  • áreas rurais;
  • estradas federais;
  • zonas de fronteira;
  • locais atingidos por enchentes, incêndios ou outros desastres naturais.

Além do uso cotidiano, a tecnologia poderá fortalecer operações de defesa civil, resgates, segurança pública e comunicação em situações de emergência.

Starlink lidera corrida mundial

Criada pela SpaceX, a Starlink opera atualmente a maior constelação de satélites em órbita baixa do planeta, com milhares de equipamentos distribuídos ao redor da Terra.

O sistema foi originalmente desenvolvido para fornecer internet banda larga por meio de antenas parabólicas, mas a empresa passou a investir fortemente na comunicação direta com smartphones a partir de 2022.

Embora outras empresas, como AST SpaceMobileLynk Global, também desenvolvam soluções semelhantes, a Starlink aparece como a companhia mais avançada em número de satélites, cobertura global e testes comerciais.

Serviço ainda depende de novas etapas

Apesar da aprovação regulatória, especialistas ressaltam que o brasileiro ainda não poderá acessar imediatamente a internet da Starlink diretamente pelo celular.

Antes do lançamento comercial será necessário que:

  • empresas obtenham autorização específica da Anatel;
  • sejam firmadas parcerias com operadoras móveis brasileiras;
  • equipamentos sejam homologados;
  • sejam concluídos testes de compatibilidade e segurança.

Também ainda não foram divulgados preços nem datas oficiais para o início da operação comercial no país.

Um novo cenário para as telecomunicações

A decisão da Anatel marca uma mudança histórica na política brasileira de telecomunicações. Pela primeira vez, a regulamentação nacional passa a contemplar a comunicação direta entre satélites e celulares, aproximando o Brasil de uma tendência que promete reduzir drasticamente as áreas sem cobertura móvel.

Caso as próximas etapas regulatórias sejam concluídas dentro do cronograma esperado, os primeiros serviços comerciais utilizando a tecnologia Direct to Cell poderão começar a ser autorizados nos próximos anos, ampliando o acesso à conectividade em um país onde milhões de pessoas ainda vivem ou transitam por regiões sem sinal de telefonia.

Por Ver o Fato

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