94% das brasileiras sentem medo da violência no dia a dia, indica pesquisa

Quase 8 em cada 10 mulheres (78%) relatam ter passado por pelo menos um tipo de agressão

Uma pesquisa realizada pelos Institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com o apoio da Uber, aponta que 94% das mulheres brasileiras sentem medo da violência no dia a dia no país. O percentual supera o dos homens, de 84%.

O que diz a pesquisa

Estudo ouviu 1.500 pessoas de todas as regiões do país.A pesquisa “Segurança das mulheres: percepção da sociedade brasileira sobre a violência” entrevistou pessoas a partir de 16 anos entre 22 e 30 de abril de 2026, via formulário digital. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais.

Nove em cada dez brasileiros (89%) relatam medo da violência no dia a dia.Nos deslocamentos urbanos, o índice sobe para 92%. Nos dois recortes, o percentual das mulheres é de 94% e supera o dos homens, que responderam 84% para o medo no cotidiano e 90% para o medo em deslocamentos.

Quase 8 em cada 10 mulheres (78%) relatam ter passado por pelo menos um tipo de agressão. São cerca de 68,2 milhões de brasileiras. A violência psicológica foi a mais citada, por 31% das respondentes. A violência sexual aparece em 21% dos relatos; a doméstica, em 15%, e a física, em 13%.

Cerca de 80% das respondentes alegam que o medo da violência impacta várias áreas de suas vidas.Por exemplo, 62% mudaram hábitos de lazer, 58% deixaram de frequentar lugares que gostavam e 45% deixaram de aproveitar oportunidades de trabalho ou estudo.

98% das respondentes afirmam mudar comportamentos e hábitos de rotina para se protegerem.Entre essas medidas estão evitar determinados locais (90%), não expor dados pessoais nas redes (88%), não usar o celular na rua (84%) e evitar sair à noite (83%).

Paradas e estações de transporte público lideram a sensação de insegurança.Nelas, 42% das mulheres afirmam não se sentirem seguras. Em bares, festas e casas noturnas, o percentual é de 41%. Dentro dos coletivos, 33% relatam a mesma percepção.

Roubo de celular é o medo mais generalizado entre as brasileiras.O medo de ter o aparelho roubado atinge 97% das mulheres, mesmo índice do medo de assalto violento. Furto de objeto (96%), invasão de residência (95%) e violência sexual (94%) também estão no topo da lista.

Pesquisadora diz que medo vivenciado pelas mulheres é alimentado por suas experiências de violência, sejam as vividas por elas ou por outras mulheres ao redor.Na prática, mulheres e homens não vivem a cidade da mesma maneira já que, para as mulheres, o acesso aos espaços e às oportunidades é constantemente condicionado pela preocupação com a própria segurança,” disse Maíra Saruê, diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva.

Outra especialista afirma que insegurança deixou de ser uma percepção pontual.Se transformou numa rotina de cálculos e renúncias silenciosas, em que quase todas as mulheres brasileiras precisam evitar lugares, mudar trajetos, abrir mão do lazer ou reconsiderar até uma oportunidade de trabalho por medo da violência”, disse Vera Vieira, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão.

Percepção das instituições

Avaliação das instituições é majoritariamente negativa entre as entrevistadas.O Legislativo registrou o pior resultado, com 74% de reprovação, seguido pelos governos estaduais (72%), Judiciário e Executivo federal (ambos com 71%) e governos municipais (69%).

Mais canais de denúncia e melhorias na infraestrutura urbana lideram as demandas.Para 95%, é preciso ampliar os meios de denúncia e o apoio a vítimas. Já 93% pedem investimentos em transporte e espaços públicos.

Tema pode influenciar as urnas neste ano.Para 78% das respondentes, propostas de combate à violência e ao assédio contra mulheres nas ruas e no transporte público terão peso na escolha do voto.

Por Uol

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