Policial que atirou em professor durante festa em Moju não foi condenado por tentativa de homicídio, mas por lesão corporal grave, e deixa a prisão; permanência na PM ainda será decidida

Segundo os jurados, o policial iniciou a agressão, mas não teve a intenção de matar, interrompendo a ação após o disparo.

Moju (PA) – O julgamento do policial militar Rogério Lima, acusado de atirar na cabeça do professor Neto Brandão durante uma festa em Moju, foi concluído nesta quinta-feira (26). O crime ocorreu na madrugada de 15 de outubro de 2022, em um show de aparelhagem, e causou grande comoção no município.

Durante o júri popular, o Conselho de Sentença decidiu desclassificar o crime de tentativa de homicídio para lesão corporal de natureza grave, ao acolher a tese da desistência voluntária apresentada pela defesa. Segundo os jurados, o policial iniciou a agressão, mas não teve a intenção de matar, interrompendo a ação após o disparo.

A defesa de Rogério apresentou três teses:

  1. Legítima defesa – que, se acolhida, resultaria em absolvição total (rejeitada);
  2. Tentativa de homicídio privilegiado, alegando injusta provocação da vítima (também rejeitada);
  3. Desistência voluntária, que foi aceita pelos jurados, levando à desclassificação do crime.

O disparo, que atingiu o professor na cabeça, gerou pânico entre os frequentadores do evento. A vítima foi socorrida por amigos, levada inicialmente à Unidade Mista de Saúde de Moju e, devido à gravidade, transferida ao Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua, onde passou por cirurgias. Neto sobreviveu, mas ficou com sequelas permanentes.

Após o crime, Rogério Lima fugiu do local e apagou suas redes sociais, dificultando sua localização nos primeiros momentos da investigação. O caso gerou revolta em Moju, com manifestações populares cobrando justiça.

Ao final do julgamento, Rogério foi condenado a 3 anos de reclusão em regime aberto por lesão corporal grave. Como já havia cumprido 2 anos e 8 meses de prisão preventiva, o juiz determinou a expedição imediata do alvará de soltura.

O policial deixou a prisão ainda nesta quinta-feira (26), gerando reações diversas na população local e entre os familiares da vítima.

 Situação na Polícia Militar
Apesar de ter sido liberado pela Justiça, Rogério Lima ainda responde a um processo administrativo disciplinar dentro da Polícia Militar do Pará. A corporação deverá decidir nos próximos dias se ele continuará ou não integrando os quadros da PM.

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