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Polícia desidrata grupo que usava drama de criança doente para faturar milhões com Pix falso

Criminosos clonaram campanha real de menino de 10 anos que tem doença rara.

Uma estrutura criminosa altamente tecnológica, que transformava a solidariedade das pessoas em lucro milionário, começou a ser desmantelada na manhã desta quinta-feira (28). A Polícia Civil do Rio Grande do Sul, por meio de sua Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos, colocou nas ruas a Operação Eclipse.

O objetivo principal foi frear um bando que usava o drama real de um menino de apenas 10 anos, morador do litoral gaúcho e portador de uma síndrome grave e cara, para desviar doações via Pix que deveriam ir para o seu tratamento de saúde.

A engenharia do golpe era sofisticada e cruel. Os golpistas pegavam fotos, relatos e detalhes médicos verdadeiros da criança, que luta contra a distrofia muscular de Duchenne em Capão da Canoa, e criavam páginas idênticas às de vaquinhas virtuais autênticas. Para alcançar o maior número de vítimas, o grupo pagava por anúncios patrocinados nas redes sociais.

Quem via a postagem achava que estava salvando uma vida, mas o dinheiro caía direto na conta de empresas de fachada criadas pelo grupo. Só uma das páginas fakes simulava ter arrecadado mais de R$ 248 mil, mas o rastro bancário dos suspeitos revelou um fluxo de milhões de reais.

Para dar tamanho nó na polícia, a quadrilha utilizava servidores de internet localizados fora do Brasil e intermediadores de pagamento profissionais. O esquema era coordenado por três cabeças, que viraram alvos de mandados de prisão preventiva: um homem de 30 anos localizado em Curitiba, responsável por arquitetar a engenharia financeira; outro de 30 anos em Londrina, que cuidava das contas e empresas usadas no fluxo do dinheiro; e um terceiro de 31 anos, em Contagem, que registrava os sites falsos.

O cerco da Operação Eclipse não se limitou ao Sul. Ao todo, a Justiça expediu três ordens de prisão e seis mandados de busca e apreensão, além do bloqueio imediato de todas as contas e bens dos envolvidos. Os policiais federais e civis cruzaram fronteiras e atuaram em cidades do Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

A investigação agora entra em uma nova fase para rastrear se existem outros envolvidos na lavagem do dinheiro e descobrir o tamanho exato do rombo financeiro deixado pelos criminosos.

Por Roma News

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