Há crimes que, pela brutalidade e pelo motivo fútil que os desencadeia, expõem de forma dolorosa aquilo que a filósofa Hannah Arendt chamou de a banalidade do mal: a normalização da violência, a corrosão do sentido de humanidade e o desaparecimento dos freios morais mais elementares. Em Parauapebas, no sudeste do Pará, essa banalidade se manifestou de maneira devastadora na morte do idoso Getúlio Rocha Alves, de 64 anos, assassinado após reclamar de um grupo que urinava em frente à casa dele.
Segundo informações do jornal Correio de Carajás, de Marabá, Getúlio — conhecido e respeitado pela vizinhança — apenas fez o que qualquer cidadão faria diante da falta de respeito: pediu que os homens parassem. O gesto simples de defender a própria dignidade e o próprio lar se transformou, porém, em sentença de morte.










