Moju: Moradores do Ramal da torre denunciam empresa BBF por coação e ameaças

Os moradores tem uma associação registrada pelo nome de Nova Conquista, que fica dentro de uma área que supostamente seja da empresa. Cerca de 172 famílias que vivem da roça correm o risco de ter que sair da área que já estão ocupando há cerca de dois anos

Moradores da Comunidade Nova Conquista, que fica em uma área sob disputa judicial entre moradores da Associação Nova Conquista e a empresa Brasil BioFuels (BFF), denunciam que estão sendo coagidos e ameaçados por seguranças da guarda patrimonial da empresa. A BBF é a empresa que comprou a antiga que Bio Palma.

Cerca de 300 pessoas moram nesta área, que, segundo informou a defesa da Associação, é uma terra ociosa, mas que foi ocupada por essas famílias.

Seu João da Silva Reis, que já mora na ocupação há cerca de dois anos, disse que vive da roça e nem sempre tem o que comer. “Tem dia que eu merendo janto e almoço”, declarou ele. O agricultor ainda disse que nunca recebeu nenhuma ajuda da empresa.

A equipe do Portal Moju News entrou na casa de vários moradores desta área e constatou a situação de miséria, abandono e vulnerabilidade social.

Foto: Dinelson Barboza

Samuel Franco Lino, de 56 anos, relata que certo dia teve uma arma apontada por um guarda da segurança patrimonial da empresa. “Ele disse que é paraense legítimo e que os guardas da empresa tem que guardar e trabalhar dentro da área da empresa e que eles não são Polícia”, disse Samuel.

O presidente da associação dos moradores, João Pinheiro de Castro, e que é o representante das famílias que ocuparam há cerca de dois anos, disse que aguarda em Deus e na justiça, tendo em vista que a própria empresa entrou na justiça pedindo reintegração de posse. Ele também comentou sobre as ameaças e intimidações que tem sofrido por funcionários que prestam serviços à empresa.

O Portal Moju News foi até à portaria da Brasil BioFuels em Moju e conversou com dois analistas da empresa, mas eles pediram para que a redação entrasse em contato por e-mail com a central que fica em São Paulo. O e-mail pedindo esclarecimento foi enviado e, até o momento, a empresa não se manifestou.

Os moradores vivem o drama de ter que sair a qualquer momento de suas casas. Eles também pedem ajuda das autoridades para resolução dessa situação.

Ramal da torre, foto: Dinelson Barboza

O caso segue sendo acompanhado pela Polícia Civil de Moju, o Delegado já ouviu tanto os seguranças da empresa quanto o presidente da Associação dos moradores.

O Portal estará lançando matéria em vídeo com as falas dos moradores e a situação em que essas famílias se encontram no ramal da Torre. Um grande contraste quando se observa a alta produção e rentabilidade financeira da empresa e a situação daqueles que estão ali trabalhando e produzindo para a sua subsistência, a matéria será lançada no Facebook do Portal Moju News.

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