Médico oncologista lista 5 produtos comuns que evita em casa por possível relação com câncer

Um oncologista lista cinco produtos comuns em casa que ele evita devido à associação com substâncias que podem aumentar riscos à saúde, como aromatizadores, plásticos e naftalina.

O médico oncologista e hematologista, Dr. Sudarson Vishnu Kollimuttathuillam, chamou a atenção para cinco produtos comuns que, segundo ele, não fazem parte de sua rotina doméstica por estarem associados a substâncias que podem aumentar riscos à saúde. 

A lista, publicada pelo Daily Mail, inclui itens encontrados em cozinhas, como recipientes de plástico e panelas antiaderentes, além de produtos usados para perfumar ambientes.

No entanto, antes de iniciar a lista, é importante destacar que esses produtos não necessariamente causam câncer. O risco depende de fatores como quantidade e duração da exposição. Algumas das substâncias citadas possuem evidências científicas de associação com determinados tipos de câncer, enquanto outras ainda são alvo de estudos.

Há algumas coisas que eu pessoalmente não guardo em casa, ou que geralmente evito, mas isso não significa que todos os itens comprovadamente causem câncer. Para alguns, as evidências são claras; para outros, a pesquisa ainda está em andamento. Quando existe uma maneira fácil de reduzir uma exposição desnecessária, acho que é uma precaução razoável.”, afirmou o Dr. Kollimuttathuillam.  

1. Aromatizadores de ambiente

Produtos usados para deixar a casa cheirosa entraram no alerta do médico. Velas perfumadas e alguns aromatizadores podem liberar compostos orgânicos voláteis no ambiente.

A queima de determinados materiais pode liberar substâncias como benzeno, tolueno e formaldeído. O benzeno, especificamente, é reconhecido como carcinogênico para humanos e está associado principalmente a cânceres do sangue, como a leucemia.

“Alguns produtos perfumados liberam compostos orgânicos voláteis no ar interno, e pesquisadores continuam estudando os potenciais efeitos na saúde da exposição prolongada a alguns desses produtos químicos.”, disse o médico.

A preocupação está relacionada sobretudo à exposição frequente e prolongada, principalmente em ambientes fechados e pouco ventilados, o que não representa um risco direto de câncer.

“As evidências que ligam o uso normal desses produtos diretamente ao câncer ainda são limitadas, então não acho que as pessoas devam se alarmar se os utilizam. Eu simplesmente prefiro reduzir uma exposição que não preciso. Abrir uma janela, melhorar a ventilação ou escolher produtos com fragrâncias menos intensas são alternativas fáceis.”, completou.

2. Recipientes de plástico muito usados ou danificados

O alerta envolve recipientes de plástico utilizados para armazenar ou aquecer alimentos. O aquecimento pode favorecer a migração de determinadas substâncias presentes no material para a comida.

Entre os compostos que despertam preocupação estão bisfenóis e ftalatos, substâncias estudadas por seus efeitos sobre o sistema hormonal. Por isso, uma alternativa apontada para reduzir a exposição é utilizar recipientes de vidro quando o alimento estiver quente.

“Não uso mais recipientes de plástico para alimentos que estejam riscados, opacos, deformados ou danificados de alguma outra forma. Ao reaquecer comida, certifico-me de usar um recipiente específico para esse fim ou opto por vidro ou cerâmica.”, disse o médico.

3. Bolinhas de naftalina

As tradicionais bolinhas de naftalina usadas para afastar traças e outros insetos podem representar uma fonte de exposição a substâncias químicas dentro de casa. O produto libera naftaleno, composto que pode se acumular no ar, principalmente quando utilizado em ambientes fechados e pouco ventilados.

A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), classifica o naftaleno como possivelmente carcinogênico para humanos, no Grupo 2B. Inclusive, o médico afirma que no Reino Unido as bolinhas de naftalina já são proibidas para uso doméstico:

Para mim, é uma exposição desnecessária quando existem outras maneiras de proteger as roupas das traças, como manter armários e áreas de armazenamento limpos, lavar as roupas antes de guardá-las e usar alternativas não químicas. No Reino Unido, as bolinhas de naftalina não são mais permitidas para uso doméstico.”, afirmou.

4. Produtos de limpeza muito fortes

Produtos de limpeza com substâncias químicas concentradas também aparecem entre os itens que merecem atenção. Desinfetantes, alvejantes, solventes e outros produtos podem liberar vapores irritantes ou compostos potencialmente perigosos quando utilizados de maneira inadequada.

O risco tende a ser maior quando há exposição frequente e prolongada, principalmente em ambientes pequenos e sem ventilação. O problema também pode aumentar quando diferentes produtos são misturados.

Além disso, determinadas substâncias químicas presentes em produtos de limpeza podem estar relacionadas a riscos ocupacionais. O Instituto Nacional de Câncer (INCA), por exemplo, cita agentes comoformaldeído e alguns solventes orgânicos entre as substâncias associadas a exposições ocupacionais relacionadas ao câncer.

“Em vez do uso doméstico típico, em casa escolho o produto mais simples que cumpra a função, sigo as instruções cuidadosamente e garanto que haja boa ventilação. Também nunca misturo produtos de limpeza, a menos que o rótulo indique especificamente que é seguro fazê-lo.” disse o médico.

5. Pesticidas e inseticidas desnecessários

Esses produtos contêm substâncias desenvolvidas para eliminar ou controlar insetos e, dependendo do princípio ativo, podem apresentar diferentes níveis de toxicidade para humanos.

“Procuro minimizar o uso desnecessário de pesticidas e inseticidas dentro e ao redor da minha casa. Alguns pesticidas foram estudados quanto a possíveis associações com o câncer, embora as maiores preocupações geralmente envolvam pessoas com exposições mais elevadas ou repetidas, incluindo a exposição ocupacional.”, disse o oncologista.

O INCA também destaca que alguns ingredientes presentes em inseticidas possuem classificações relacionadas à carcinogenicidade. Entre eles estão a malationa e a diazinona, classificadas pela IARC como provavelmente carcinogênicas para humanos (Grupo 2A). Outros compostos, como tetraclorvinfós e parationa, foram classificados como possivelmente carcinogênicos

O que fazer para diminuir a probabilidade de ter câncer?

Algumas mudanças simples podem reduzir o contato cotidiano com determinadas substâncias. Usar recipientes de vidro para alimentos quentes e manter os ambientes ventilados ao utilizar produtos perfumados ou de limpeza são exemplos.

A prevenção do câncer, porém, vai muito além de produtos domésticos. Segundo o médico consultado, não fumar, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, controlar o consumo de álcool e realizar exames preventivos indicados para cada faixa etária estão entre as medidas importantes para reduzir riscos.

“Não fumar, manter um peso saudável, praticar exercícios regularmente, limitar o consumo de álcool e proteger a pele são medidas essenciais. A exposição excessiva aos raios UV e a realização dos exames de rastreio de cancro recomendados são medidas muito mais importantes para reduzir o risco de cancro do que se preocupar com todos os produtos em sua casa.” completou.

Por Diário do Pará

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