Manifestações marcam julgamento do caso ‘Leila Arruda’, ex-candidata à prefeita de Curralinho morta no Pará

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Réu é o ex-esposo da vítima, Boaventura Dias de Lima. Crime foi em Belém, no bairro do Tenoné, em 2020.

Candidata do PT à prefeita de Curralinho, no Marajó, é assassinada em Belém — Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal

O julgamento do réu Boaventura Dias de Lima, acusado de provocar a morte da ex-esposa, Leila Arruda, ex-candidata à prefeitura de Curralinho, no Marajó, é marcado por manifestações de familiares e amigos no Fórum Criminal de Belém, nesta sexta (8). Uma caravana do Marajó acompanha o júri.

A pedagoga Leila Arruda foi assassinada a facadas pelo ex-marido no dia 19 de novembro de 2020, em Belém.

De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2020, 89,9% das vítimas de feminicídio no Brasil tiveram como algozes os companheiros ou ex-companheiros.

Manifestantes do Movimento Filhas de Leila, da Frente Feminista do Pará e do grupo Levante contra o Feminicídio pedem por justiça no caso.

Mulheres pedem Justiça pelo caso ‘Leila Arruda’. — Foto: Reprodução

Julgamento

De acordo com o Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), estão previstos seis depoimentos de testemunhas nesta sexta, sendo a primeira o legista de local de crime, que deve prestar informações técnicas da perícia realizada. O corpo de jurados é formado por quatro mulheres e dois homens, segundo o TJ.

O irmão da vítima, José Leonaldo, fez um relato emocionado de quando encontrou a irmã algumas horas antes do crime. Ele alega que Boaventura de Lima foi procurar advogado, logo após cometer o crime. A Polícia, segundo ele, foi acionada por um familiar dele, quando informou sobre o ocorrido. Depois disso, ele foi preso, de acordo com o relato.

José Leonaldo afirmou, ainda em depoimento, que a vítima sempre procurou estudar, o que desagradava o réu.

Entenda o caso

Leila Arruda, candidata do PT à Prefeitura de Curralinho, no arquipélago do Marajó, foi assassinada a facadas e pauladas na tarde do dia 19 de novembro em Belém.

Segundo familiares, ela foi vítima de feminicídio e assassinada na porta de casa, no bairro do Tenoné. Ainda de acordo com os familiares, o suposto autor do crime é o ex-marido, de quem ela estava separada há três anos e sofria com perseguições.

Leila Arruda tinha 49 anos e foi fundadora e militante do Movimento de Mulheres Empreendedoras da Amazônia (Moema), filiou-se ao PT em Curralinho aos 20 anos e era formada em pedagogia.

Em nota, o PT do Pará lamentou a morte, disse que ela era militante e confirmou que ela teria sido assassinada pelo ex-marido. A nota também anunciou “indignação por este crime brutal que tirou a vida de mais uma mulher no estado e reitera que é inadmissível que as mulheres sejam reféns da violência provocada pelo machismo enraizado na sociedade”.

À noite no mesmo dia do crime, Boaventura Dias de Lima foi preso em Belém. À época, a Polícia Civil informou que ele foi localizado no bairro do Tenoné, e foi conduzido para a Divisão de Homicídios, onde prestou depoimento. Em seguida, foi encaminhado para o sistema penal.

Dias depois da prisão, a Justiça do Pará converteu a prisão em flagrante para prisão preventiva. A decisão da juíza Cláudia Favacho foi homologada em audiência de custódia no dia 23 de novembro.

Boaventura de Lima foi, então, enquadrado pelo crime de feminicídio qualificado por motivo fútil, por meio cruel, com recurso que dificultou a defesa da vítima, com prisão em flagrante.

O crime gerou revolta e manifestações em Belém.

Texto: G1 Pará

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