
Assunto gerou 157 mil publicações nas redes sociais, segundo dados da consultoria Bites, com predomínio da direita no debate; Boulos defendeu que mudança foi um ‘absurdo’
A discussão em torno da troca da letra do hino nacional para a utilização de termos de linguagem neutra foi dominada pela direita nas redes sociais, segundo levantamento da consultoria Bites feito a pedido do GLOBO. O episódio ocorreu no último final de semana durante o comício da campanha para a prefeitura de São Paulo de Guilherme Boulos (PSOL), no sábado.
A cantora Yurungai foi chamada ao palco para cantar o hino e trocou o trecho “Dos filhos deste solo” para “Des filhes deste solo”. O caso repercutiu nas redes sociais a partir de terça-feira (27).
Segundo o levantamento da Bites, o episódio gerou 157 mil publicações nas redes sociais, sendo 154 mil no Twitter, 944 notícias e 1,2 mil posts em páginas de Facebook que mencionavam o hino nacional no ato de Boulos. Antes de terça, o assunto não era relevante nas redes sociais.

Foram 1,88 milhão de interações com o assunto. No Twitter, as publicações do tema geraram 51,7 milhões de visualizações.
O pico de interações ocorreu por volta das 18h daquele dia e, na análise da Bites, a direita dominou o debate, impulsionada por bolsonaristas com Damares Alves, Carla Zambelli, Nikolas Ferreira e o perfil humorístico Joaquin Teixeira.
O momento, no entanto, também repercutiu em perfis que contam com seguidores de espectros políticos variados, fora da bolha do bolsonarismo, como o perfil no X chamado O Bon Vivant MuitoHumilde. O relatório aponta que páginas de assuntos não relacionadas à política, de fofoca a futebol, criticaram o caso. Perfis de centro-esquerda também ganharam engajamento com comentários negativos sobre o momento, como o do professor João Felippe Cury.
https://x.com/jfmathias/status/1828542986206224711
— Tem uma novidade na repercussão desse caso: perfis de centro ou não muito engajados politicamente criticaram a estratégia da campanha do Boulos, ou a gafe. Os posts diziam que parecia que a esquerda não queria ganhar a eleição ou que aquilo parecia até uma fake news da direita — diz André Eler, diretor técnico da Bites.
O assunto, no entanto, não superou o engajamento em torno de Marçal nas redes sociais naquele mesmo dia. O empresário acumulou 325 mil menções ante as 157 mil sobre o hino nacional, com 63,8 milhões de visualizações, entre posts favoráveis e contrários ao candidato.
— Boulos tem enfrentado dificuldade de pautar as redes. Quando ele aparece, é um destaque negativo. Ele foi criticado por esse eleitor de centro que ele certamente vai precisar buscar em um segundo turno — observa Eler.
Mudança foi um ‘absurdo’, diz Boulos
O candidato à prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL) classificou como um “absurdo” a troca da letra do hino nacional durante comício realizado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último sábado. De acordo com o deputado federal, a troca foi feita pela produtora do evento e, após o ato, a campanha decidiu que não vai mais trabalhar com a empresa.
— Não foi, logicamente, uma decisão da minha campanha, é absurdo o que foi feito com o Hino Nacional. Aquilo foi uma produtora contratada da nossa campanha, que por sua vez contratou uma cantora e que teve aquele episódio. A nossa campanha se pronunciou de maneira clara e essa empresa produtora não vai mais trabalhar nos próximos eventos da campanha — disse ele em coletiva de imprensa após agenda no Sindicato dos Motoristas do Transporte Rodoviário Urbano de SP.
Por: O Globo














