Investigação aponta saques e transferências sem autorização; maioria das vítimas seria formada por idosos
Uma gerente de banco foi presa preventivamente em Miguelópolis, no interior de São Paulo, suspeita de participar de um esquema que teria retirado mais de R$ 2 milhões de contas de clientes, principalmente idosos e pessoas vulneráveis. O dinheiro, segundo a investigação, também teria sido movimentado em casas de jogos e apostas.
A investigada é Vanessa Gonçalves Miranda, de 40 anos, que trabalhava havia mais de 12 anos em uma agência do Santander no município. De acordo com a Polícia Civil, ela teria usado o acesso que possuía às contas dos correntistas para fazer operações sem autorização, incluindo saques, transferências e contratação de empréstimos. As movimentações investigadas teriam ocorrido entre 2024 e 2026.
O caso começou a ser descoberto depois que clientes perceberam transações que não reconheciam e procuraram as autoridades. Entre as vítimas está uma aposentada de 78 anos. A família dela teria encontrado a conta praticamente sem recursos depois que a idosa precisou utilizar parte das economias para despesas relacionadas à saúde. A investigação aponta um prejuízo de cerca de R$ 300 mil nesse caso.
Como o dinheiro teria sido movimentado
Segundo as investigações, os valores não ficavam necessariamente concentrados em uma única conta. Parte do dinheiro teria sido transferida para outras contas e também movimentada em plataformas e casas de apostas. A polícia apura se essas operações tinham como objetivo dificultar o rastreamento da origem dos recursos.
O companheiro da gerente, o dentista Adilson Coelho de Paula, de 56 anos, também foi preso. Ele é suspeito de participar da movimentação dos valores. Conforme a investigação, contas pessoais e de uma empresa ligada a ele teriam sido utilizadas para receber e movimentar parte dos recursos.
Os investigadores também apuram possíveis crimes de furto mediante abuso de confiança contra idosos e pessoas vulneráveis, estelionato e lavagem de dinheiro. A prisão dos dois é preventiva e não representa condenação.

Defesa cita dependência em jogos
Segundo a investigação, o dinheiro retirado das contas bancárias era colocado em apostas. A estratégia teria como finalidade justificar a origem dos recursos e evitar que os valores movimentados levantassem suspeitas sobre a renda do casal.
A defesa de Adilson nega que ele tenha participação nos desvios investigados. Até a publicação das informações consultadas, a defesa de Vanessa não havia sido localizada para apresentar sua versão.
O Santander informou que sua área de inteligência coopera com a Polícia Civil desde o início das investigações. O banco afirmou ainda que trabalha para esclarecer os fatos e responsabilizar os envolvidos e declarou que nenhum cliente terá prejuízo financeiro em razão do caso.
Por Dol








