Brasil corre contra o tempo para barrar supertarifa de até 37,5% sugerida pelos EUA

Governo Lula tem até 15 de julho para reverter sanções que miram desde o Pix até denúncias de trabalho escravo.

O governo brasileiro iniciou uma verdadeira corrida diplomática para tentar frear um pacote de tarifas bilionárias que os Estados Unidos pretendem aplicar contra os produtos nacionais. O Escritório de Comércio dos EUA (USTR) recomendou uma taxação inicial de 25% após concluir uma investigação que classificou as políticas comerciais do Brasil como “irrazoáveis”. Para piorar o cenário, Washington sugeriu na última quarta-feira (3) um acréscimo de 12,5% na cobrança, alegando relatos de trabalho escravo no país. Se somadas, as taxas podem criar um “tarifaço” de até 37,5% para determinados setores, e o prazo final para o Brasil reverter essa medida vai até o dia 15 de julho.

O relatório americano funciona como um raio-X das insatisfações de Washington e ataca diversos pilares da economia brasileira. O documento critica o sistema do Pix, as regras de comércio digital, a demora na liberação de patentes e a pirataria. O texto cita até a concessão de tarifas preferenciais do Brasil para o México e para a Índia, além de apontar falhas no combate ao desmatamento e à corrupção. Sobrou espaço até para o Judiciário: os americanos criticaram as ordens de remoção de conteúdo e as multas aplicadas contra plataformas digitais no Brasil. Em resposta, o Palácio do Planalto repudiou o relatório, classificando vários trechos como “absurdos” e sem base técnica.

A crise ganhou um forte componente político e eleitoral nas últimas horas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou abertamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de comandar um “ataque ao Brasil” no exterior. Flávio, que é pré-candidato à presidência, esteve nos EUA para se reunir com Donald Trump dias antes de o governo americano rotular o PCC e o Comando Vermelho como organizações criminosas e de sugerir as novas tarifas. Segundo Lula, a oposição repete a estratégia do ano passado, quando os EUA taxaram produtos brasileiros alegando falta de liberdade de expressão, em uma época em que o ex-presidente Jair Bolsonaro ainda enfrentava julgamentos no STF.

A estratégia brasileira para evitar o prejuízo

Apesar da escalada na retórica, interlocutores afirmam que o texto dos EUA deixa margem para negociação e prevê exceções. O governo federal planeja agir em várias frentes para barrar as sanções antes do prazo de julho:

Audiência Pública: No dia 6 de junho, representantes dos dois países se reúnem em uma audiência pública onde o Brasil apresentará documentos para rebater as acusações ponto a ponto.

Olho no Olho com os EUA: O ministro da Fazenda, Dario Durigan, colocou-se à disposição para viajar aos Estados Unidos e negociar diretamente com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent.

Cúpula do G7: Lula viajará para a França entre os dias 15 e 17 de junho para o encontro das maiores economias do mundo, onde pretende acionar Trump pessoalmente para discutir o tema.

Os canais de diálogo direto entre os dois presidentes foram abertos na Assembleia-Geral da ONU, quando Trump afirmou ter tido uma “química” com o líder brasileiro. Em maio, Lula visitou a Casa Branca e entregou documentos oficiais, propondo uma trégua para que as equipes técnicas provem quem está certo. “Demos 30 dias. Até agora já conversaram três vezes e não houve acordo”, desabafou o presidente em um evento recente. Caso a diplomacia falhe e o tarifaço seja aprovado em julho, o Brasil estuda adotar medidas duras e acionar a Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para taxar produtos americanos na mesma proporção.

Por Roma News

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